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Trabalho na zona do Saldanha, onde estaciono, com alguma sorte “à porta do emprego”, embora, na maior parte dos casos, depois de longos minutos às voltas para arranjar lugar. A minha actividade profissional é feita de imponderáveis; Tanto posso ter de sair por uma ou duas horas, como passar a manhã inteira no escritório. Estacionar no Parque do Arco-Cego (provisório desde os tempos de Carmona Rodrigues) é insustentável. Estou receptivo a sugestões para evitar ter de arranjar um andar novo a um “verdinho” que venha a multar-me quando a medida for implementada, uma vez que o espaço euclideano tem curvatura nula a partir de Março.
Carro à porta do emprego tem os dias contados
Por Carlos Filipe, in Público de 04-01-2011
Novo regulamento de estacionamento tarifado em Lisboa deverá ser aplicado em Março com fiscalização redobrada nas zonas de tempo de paragem limitada
Quem se desloca de automóvel para o eixo central de Lisboa e chega cedo encontrará um lugar muito perto do local de trabalho. Depois é só encontrar o parquímetro mais próximo e introduzir as moedas suficientes para as primeiras quatro horas. E após o almoço repete-se a operação, com o dinheiro suficiente para completar o horário de trabalho. Até agora tem sido assim. A partir de Março, aquele estacionamento só será autorizado, no mínimo, até à hora da bica matinal (duas horas). No máximo, dependendo da zona, dará até ao almoço (quatro horas). A partir daí, se a viatura não for retirada do lugar, incorre-se em infracção.
O novo regulamento de estacionamento tarifado de duração limitada, que será hoje votado em reunião camarária, foi apreciado favoravelmente pelo executivo em Julho, com abstenção do PSD e voto contra do CDS, por não estar previsto período de consulta pública, omissão essa já corrigida. O vereador da mobilidade, Fernando Nunes da Silva, conta apresentá-lo em Fevereiro à assembleia municipal, para que em Março possa ser aplicado.
A proposta camarária, baseada num estudo encomendado pela Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL), põe termo à tarifa única para toda a cidade de Lisboa, passando a praticar-se valores distintos conforme as características de cada coroa (interior e exterior) ou eixo viário. Há inclusivamente uma redução no tarifário para a coroa exterior, que baixa a partir da segunda hora. Estacionar até quatro horas vai custar 3,20 euros.
Assuntos rápidos
São criados eixos de estacionamento de curta duração (duas horas) nos locais de especial concentração de comércio e serviços e que beneficiem da oferta de transportes públicos ou de alternativas ao nível do estacionamento (parques subterrâneos ou silos). São os casos da Baixa-Chiado, Príncipe Real, Avenida da Liberdade, António Augusto de Aguiar, Saldanha, Avenida da República, Entrecampos, e avenidas dos EUA e das Forças Armadas, que estabelecem o limite (a norte) da coroa interior – a tarifa, que só permite duas horas de estacionamento, atinge o máximo de 3,20 euros.
Nestes eixos, os valores são aumentados em cinco por cento e, no limite, só dará para estacionar e tratar de um assunto rápido. Estacionar todo o dia à porta do emprego em algum daqueles locais tem os dias contados, pois a fiscalização da EMEL será reforçada e serão anotadas as matrículas, para que não haja possibilidade de extensão de tempo de estacionamento com aquisição de novo talão para mais duas horas.
Para as limitações de paragem a quatro horas concorrem algumas ruas de Campo de Ourique, Amoreiras, avenidas de Roma e da Igreja e Parque das Nações. Nestes casos, quatro horas de paragem custarão 4,80 euros. Os bairros de acesso condicionado – Alfama, Castelo, Bairro Alto, Mouraria, Santa Catarina/Bica – também têm novo regulamento.
In Público (17/2/2010)
Por Cristina Castel-Branco
«Esperei pela obra para poder ver o “restauro”, pois os elementos que a câmara disponibilizou não permitem qualquer análise profissional. Há 20 anos que sou professora de História da Arte e Restauro de Jardins e tenho experiência de dezenas de jardins históricos para os quais colaborei ou coordenei o restauro. Essas são as razões próximas da reacção que senti face aos erros a que assisti, espreitando pela rede que cerca a obra do Príncipe Real. Foi por causa de uma indignação que senti face à destruição de um jardim do séc. XVI que, em 2003, resolvi criar, com um conjunto de técnicos e proprietários de jardins, a Associação de Jardins e Sítios Históricos, a que presido. É nessa qualidade que falo. Não havendo nenhum painel explicativo e tendo a CML dificultado a informação, espreitei pela rede o jardim em obra, para poder falar:
1. Assisti a uma magnólia centenária a ser “assediada” pela pá de uma rectroescavadora… e arrepiada apercebi-me de que as árvores entraram em obra sem qualquer protecção. Do caderno de encargos não constava a protecção da vegetação? 2. As árvores foram abatidas às dezenas. É certo que fica mais barato dar uma só empreitada aos moto-serristas e madeireiros, mas não é assim que num jardim histórico se deve fazer: as árvores vão sendo substituídas gradualmente, seguindo um plano director que permita manter a sombra nos sítios originais.
3. O desenho dos caminhos desapareceu totalmente e consta dos artigos que li que vão ser alargadas as áreas de pavimento, desrespeitando o desenho inicial dos canteiros. Mas com que critério se altera o desenho de uma jardim histórico? Vi mais e pior, mas detenho-me nesta ideia de alteração do desenho de um jardim do século XIX para apontar à autoria do jardim de 1861. Na memória descritiva da obra, a autora do projecto afirma que “a sua estrutura e desenho devem-se ao seu autor, o jardineiro João Francisco da Silva”. Será que assume que o Príncipe Real foi desenhado por um jardineiro, subentendendo que o jardim não tem pedigree, e que o seu traço não precisa de ser respeitado? Engana-se. Basta aceder à brilhante tese de doutoramento de Teresa Marques, da Universidade do Porto, sobre os jardins deste período para perceber que, nessa altura, a nossa profissão de arquitectos paisagistas era exercida pelos denominados “jardineiros paisagistas”. Subestimar o passado de grandes obras do século XIX é também anular a origem da nossa própria profissão. Está mal.
Para defender casos como este, o Icomos, organismo consultor da UNESCO de que faço parte, criou, em 1981, a Carta de Florença, que consigna regras de restauro de jardins históricos. Portugal subscreveu, e dos 25 artigos da Carta de Florença saliento que um jardim histórico é um monumento e como tal deve ser tratado, de forma a preservar o seu significado cultural, e transmiti-lo às gerações que se seguem. A obra do Príncipe Real não respeita os princípios da Carta de Florença, senão veja-se: Artigo 14. O jardim histórico deve ser conservado num ambiente apropriado. Qualquer modificação do meio físico que faça perigar o equilíbrio ecológico deve ser proscrita. Estas medidas abrangem o conjunto das infra-estruturas internas ou externas (canalizações, sistemas de rega, estradas, caminhos, vedações, muros, poços, noras, etc.). No Príncipe Real, os passeios vão ser alargados, alegando-se razões funcionais. Por esta lógica, também deviam alargar o portal do Mosteiro dos Jerónimos: um milhão de visitantes/ano merece que as condições de entrada sejam adaptadas à “função”.
No Artigo 15. Qualquer restauro de um jardim histórico só será implementado após uma análise aprofundada, que vai da escavação em terreno à recolha de todos os documentos que dizem respeito ao jardim em causa e a jardins análogos. Esta recolha exaustiva garante o carácter científico da intervenção. Antes de qualquer execução, este estudo deverá levar a um projecto de execução a submeter a um exame e a um acordo colegial. Os jardins de Lisboa, e sobretudo os históricos, deviam ter planos de longo prazo trabalhados em conjunto com a Universidade onde se estudam, experimentam e aprofundam com tempo e método os formatos de restauro, reabilitação e recuperação… Talvez ainda se vá a tempo de parar a obra e diminuir os danos. A Associação de Jardins Históricos está disponível para, de forma gratuita, propor soluções que evitem o que ainda se pode evitar e se reponha o que não devia ter sido alterado.
Presidente da Associação de Jardins e Sítios Históricos
Da simples denúncia de problemas à proposta de solução, na blogosfera multiplicam-se os espaços em que Lisboa é tema. O DN foi conhecer as motivações por detrás de alguns destes projectos.
“Um blogue que se destina a aplaudir, apupar, acusar, propor e dissertar sobre tudo quanto se passe de bom e de mau na capital”. Esta é a premissa do Cidadania LX, um dos blogues do género mais visitados. Não descartando estes “sugestivos” verbos, o administrador Paulo Ferrero acrescenta que o Cidadania é um espaço de “defesa de causas, do património, do ambiente, de melhor mobilidade, de luta por mais oferta cultural e de denúncias de corrupção”.
Apesar de hoje ser um motivo de orgulho, Paulo Ferrero não guarda as melhores recordações da origem do blogue. Isto porque “o espaço surgiu para travar o processo de demolição da casa onde viveu Almeida Garrett”, em Campo de Ourique mas tal não aconteceu. A primeira causa foi perdida mas ao longo destes cinco anos “várias situações foram corrigidas graças ao blogue”, conta.
O Lisboa SOS, o Carmo e a Trindade e a Sétima Colina são alguns dos muitos espaços não políticos que se dedicam à cidade. Muitas vezes são autênticos órgãos de informação que se antecipam à comunicação social. Paulo Ferrero também escreve n’O Carmo e a Trindade e explica que “há notícias que aparecem nos jornais que somos nós que denunciamos dias antes”.
António Almeida, autor do Sétima Colina e de mais quatro blogues temáticos sobre a capital, confirma. Foi na “sétima colina” de Lisboa que António, profissional na área das telecomunicações, sempre viveu e, por isso, decidiu adoptar o nome para o blogue pessoal, onde escreve sobre “coisas, locais e cheiros da cidade”. Acredita que postar no blogue é um acto de “cidadania” e confessa que para desempenhar essa tarefa goza de um importante privilégio. “Uma presidente de junta que é minha amiga facultou-me uma credencial para aceder a locais e eventos”, esclarece.
E se Ferrero gosta de olhar para o Cidadania como um blogue de “denúcia”, já António Almeida acredita que “a denúncia só pela denúncia não interessa. Não se deve perder tempo com isso, é preferível apontar caminhos para as soluções.”
Todos os bloguistas que o DN contactou indicaram como blogue “bem conseguido” e “engraçado” o Lisboa S.O.S.. Este espaço é da responsabilidade de seis autores anónimos que vão denunciando, numa sequência de fotografias, situações de degradação na área urbana da capital. O blogue é inspirado no site inglês Fix My Street, onde qualquer pessoa pode indicar o que está degradado na rua onde vive. O conceito foi adoptado pelo Lisboa S.O.S. que pretende alertar para situações deploráveis que, devido ao hábito, já ninguém repara.
Sejam culturais, de consciência ambiental ou políticos, os blogues sobre a cidade de Lisboa são cada vez mais. Seria impossível referir todos, porque ao contrário do que se passa nos blogues, o espaço aqui não é infinito.
